... o local onde grito sem medo, nem censuras...

08
Fev 10

Desculpa-me postar uma carta a ti dirigida. Mas não te preocupes, quem não priva comigo não sabe tudo e quem priva percebe tudo!

 

 

 

"Já tinha lido a tua msg ontem, mas com a correria que até ao fim-de-semana se sente, foi impossível. E depois há o pormenor de sentir que o que escrevo não pode deixar dúvidas, o que ainda exige uma atenção redobrada nas palavras.

Tens razão era sobre ti. Deixar as palavras soltas é mais fácil para deixar as pessoas a pensar sobre elas. Mas não era só para ti, era para ele e para outros que não têm nada a ver com esta história cinematográfica.

Enfim, há frases que também se aplicam a diferentes pessoas e situações, mas sim estavas incluída.

Na verdade eu não sei metade da mágoa que tu ou ele possam sentir. Sei de certeza que ele agiu de forma muito errada e que certamente quebrou a tua confiança. sei que ele sentiu que quebras-te a sua confiança porque simplesmente achava que tu tinhas toda a situação clara na tua cabeça, e que se viam um ao outro da mesma forma. Sei que ele te adorava, e me chegou a dizer ainda na altura fatidica de partilha o quão importante eras para ele e como em diversas alturas importante da vida dele tinhas estado ao lado. Não me entrou com muitos pormenores da forma como era para ti, não interessava, não queria que também eu confundisse as coisas. E durantes meses a fio isto foi principalmente um dilema na cabeça dele, mais do que para mim ou para ti. Eu não sabia de nada, não lhe controlava a vida, não sabia de ti, nem de nada. Estava feliz e presa a um conto de fadas que só mais tarde percebi que tinha sido falso. Ele simplesmente não sabia o que fazer, e em relação a isto deve ter desabafado mais contigo. O compromisso, o poder entrar de novo numa relação acarretanto tudo o que ela trazia atrelado era demais. assumir uma nova paixão era um risco demasiado sério. E esqueceu-se que tu como amiga, que tinhas estado sempre lá, que estarias independentemente do prazer carnal ou não, também tinha o coração a mexer. Tu própria me disses-te isso, que tinha sido a pessoa que mais tinhas amado. Palavras se calhar proferidas numa altura de dor.

Sabes, em tempo me arrependi de insistir em perguntar-te fosse o que fosse. sei hoje que a resposta nunca seria o que eu queria e estava preparada para ouvir. Ainda hoje não quero saber pormenores dessa altura, e ponho uma volta enorme em cerca de um ano e tal da minha vida com ele. Mas enfim.

Sim, é verdade que tenho pena do vosso terminar de amizade, tenho pena que ele não tenha sido homem, e que tu não tenhas deixado a paixão de lado. Nunca privei contigo, nunca te ouvi no papel de amiga (que se calhar nunca vai existir), mas era capaz de apostar que também tu não eras 100% capaz de afastar os braços que te agarravam. Eras a segurança presente que se as coisas entre nós corressem mal, se eu lhe virasse as costas, se eu o deixasse (porque já era assim que ele via apesar do não compromisso, pois iria doer-lhe da mesma forma), tu estarias lá, para tudo, mesmo para ilusão da loucura sexual, pois no fundo, estiveste sempre, e isto chegou a acontecer…

Foram os dois (e eu também) completas crianças. Notoriamente os dois não souberam crescer, não souberam analisar tudo aquilo que sentiam e dizer e fazer o melhor. Compreendo que tivesses falado comigo em Abril, compreendo que estivesses magoada a tal ponto que nem quisesses saber. Mas tu, sabias muita coisa, Sabias quase tudo! Eu por exemplo não sabia nada… a não ser o que me ias dizendo, porque ele nunca foi capaz de assumir (tal era o medo, e sim, era medo de perder). Mas tu sim, e sei também que o conhecias muito bem, que sabias perfeitamente o que ele estava a fazer. Que sabias que ele ia mentir na tua cara. Que te ia chamar mentirosa à minha frente. O risco era demasiado grande entendes? E entendo que isso te tenha doído mais que tudo.

Não entendas as minhas palavras como estando a desculpá-lo, nada disso, não entendas as minhas palavras como estando a culpar-te também não! Aliás, muito menos isso! O que estou a querer dizer é que ele errou sim, errou muito, foi totalmente uma má pessoa e um péssimo amigo, mas ele revelou-se a ti, e tu e apenas tu sabias que a reacção dele ía ser essa….

Desculpa, não quero que entendas que não sei o que sentis-te, que não sei que te doeu como uma traição, mas também acho que te doeu mais porque baralhaste sentimentos, que julgo que ele sempre te foi claro em relação a isso. Não entendas as minhas palavras como dedos nas feridas, de forma muito pouco clara naquilo que estou a escrever, o que quero dizer é que nem tu nem ele foram totalmente incorrectos. Na verdade cada um defendeu o que sentia, e o que era mais importante. Nenhum de vós tinha as coisas claramente definidas…

Se ele nunca se tivesse apaixonado por mim, a vossa amizade teria sido sempre perfeita, mas tu continuarias sempre a ser apenas amiga, pois também nunca se apaixonou por ti, por isso continuaria sempre a doer-te, e iria continuar a repetir-te para te deixares levar… Se nunca te tivesses apaixonado por ele, seriam hoje grandes amigo, teriam ambos parado a tempo de evitar mágoas. E no fundo, tu já estavas magoada com ele antes de eu aparecer ou reaparecre na vida dele.

Desculpa E., leio isto e sinto que estou a ser dura, mas não é isso que pretendo… o que pretendo é dar-te a entender que adorava que vocês reatassem a amizade. Ele não fala comigo sobre isso, eu não puxo a conversa. Pedi-lhe que lesse o teu texto para ele no hi5 e mais nada. E sei o porquê de ele não falar comigo sobre isso, ele tem medo da mágoa, minha e dele. Mas sim, não posso negar que gostava que voltasses a privar com ele.

E não sou cínica, e não vou dizer que esta história toda não chegou a abalar o meu mundo, mas na verdade eu sou assim, quando me dói, dói muito mesmo, mas depois vem o tempo, as explicações e finalmente as resoluções. E sabes, sei que o Nuno é assim também (e tu também sabes isso), fica mais que zangado com alguém, está anos sem falar com essa pessoa se preciso, e depois aceita e pede desculpas, se calhar era capaz de partilhar aqui alguns casos que ele também te deve ter falado.

Não te digo que tens alguma obrigação de te aproximar, claro que não, tu saberás o que queres e se isso te faz sentido ou não. Quando escrevo algo, é apenas algo a que eu gostava de assistir.

Eu sou assim, um poço de emoções baralhadas. Vou tirando cartas numa tentativa de resoluções, mas não entendas por favor com pressão, são apenas vontades minhas, em que não posso interferir directamente a menos que me deixem.

Desculpa novamente o testamento, mas eu sou assim, e quando mexe também com pormenores da minha vida… estendo-me exageradamente! Aceito que não tenhas paciência para ler tudo! Lol"

 

 

 

 

 Simplesmente histórias de vida...

publicado por Ovelha Negra às 21:00

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