... o local onde grito sem medo, nem censuras...

18
Fev 10

Hoje, como de vez em quando (ou de quando em quando) na minha vida, estou inundada de dúvidas que me fazem sufocar até mais não. Aliás, a confusão é tão grande na minha cabeça, que nem sei bem como organizar as ideias e escrevê-las de forma clara...

Para ser franca, directa e sem rodeios, hoje ponho em causa a minha relação, ou lá o que posso chamar a isto.

As questões surgem-me mesmo quando não quero pensar nelas a sério, e se calhar o problema principal é mesmo esse, eu não quero pensar nisto a sério.

Estou nalgo semelhante a uma relação. Não é um namoro (nunca foi), não nos casámos, simplesmente decidimos juntar os trapos. Poderia repetir-me aqui na confusão que foi isto a que insisto em chamar relação. A falta de sinceridade, a partilha de seres e corpos, a mentira imbutida em cada palavra... na verdade, eu que tenho uma qualquer fixação por datas (situação deveras crítica na minha vida), não tenho uma data de inicio para este, bem, vou chamá-lo de amor, porque isso é certo. Temos uma data do primeiro beijo, que ele insiste em dar importância, que insiste em querer comemorar, quando no fundo eu não quero que seja um dia como os outros, quero até que seja menos que os outros. Em tempos esse dia foi relevante para mim, foi um momento engraçado/bonito (acho que nunca escrevi sobre ele...), mas que perdeu o encanto quando me rebentaram bombas seguidas no peito. Um dia que sentia relevante, perdeu toda a importância quando me coloquei no papel de mais uma... apenas isso, mais uma na altura. E independentemente de ter ouvido que tinha sido especial, que há que tempos que esse beijo era desejado, que era tão puro que era o que mais queria, bem, a história que se desenrolou meses depois mostrou-me que foi apenas um dia como os outros. E agora que se aproxima a data, e agora nesta altura que sinto as coisas confusas... bem, e eu tirar férias? Não está de todo fora de hipótese, se estiver longe certamente não há pseudo-comemorações.

Depois há o dia da mudança cá para casa. Dia que poderia ter total importância, conforme a relevância que dá também ao amor. Mas não podemos esquecer que entre estas duas datas há um fosso de 1 ano e 8 meses... aqui pelo meio, nem sei bem o que é ou o que foi. Foi talvez uma sequência de situações, de vivências, de paixão, de confusão... bem, na verdade em tempo acreditei que foi a altura da sua mudança. A altura em que cresceu, altura em que perdeu o receio de tomar decisões, e que as assumia claramente. A altura em que se deixou ele levar pelo amor que mostrava sentir e que ganhando coragem o assumiu.

Bem, hoje na realidade continuo sem saber bem o que foi. E hoje, pouco me importam as situações menos agradáveis da altura. Não minto dizendo que estão esquecidas, isso não, isso provavelmente não acontecerá nunca, mas sem dúvida resolvidas. E esse já é um facto de ajuda a muitas soluções.

No entanto, hoje (e como sempre eu), mais uma vez, achei que esta relação tinha evoluido, que tinha "chegado tão longe" como me disseram. Mas será? Terá mesmo chegado a tal longevidade? Achei que sim na verdade, de verdade era esse o sentimento que tinha. Que o "acordo" que tinhamos feito no inicio tinha sofrido alterações, porque sim, porque supostamente não seriamos o mesmo hoje que seriamos há um ano atrás.

Mais uma vez (e lá está, como sempre eu) enganei-me. Continuamos no mesmo, neste momento, e para mim, num impasse. E claro, ao perceber que eu é que estaria mais à frente, coloquei o "se" antes de toda e qualquer frase/fase.

Dois grandes pontos de interrogação se colocam agora constantemente na minha cabeça. Será que vale a pena abdicar de coisas que quero tanto fazer da vida! E acho que se me pusesse agora neste texto a revelar todas as minhas vontades que tenho em stand-by, não teria tempo suficiente no dia! Deixo só aqui em aberto a vontade que tenho de ir para África... contade interrompida pela ocorrência em 2007, mas a vontade ficou cá... e depois apareceu ele... e ele manteve as minhas decisões paradas, porque estava apaixonada, porque me dizia para me deixar levar, porque me dizia que iria sentir a minha falta. E depois as coisas tornaram-se mais sérias (aparentemente), mas é curiosa a minha principal preocupação agora... e não passa pela ausência... talvez um dia escreva sobre ela.

O outro ponto de interrogação passa por... mas isto vale a pena? Há tanta coisa que quero da vida! Continuo a idealizar uma relação de detreminada maneira, que me parece que nunca será esta que tenho.

Sim , começo a sentir que tudo isto está condenado ao fracasso, e se o está, bem, se o está porque raio deverei andar a perder tempo, se o que quero mesmo é agarrar numa mochila e ir viajar pelo mundo? E esse era um sonho que gostava tanto de concretizar... e mais uma vez, está pendente, por uma relação que na verdade sinto que nem o é...

Sim, é importante que saiba tomar decisões neste momento, mas na verdade o medo de as tomar está sempre presente. O medo da dor que vão provocar, o medo da assunpção das mesmas...

E a última questão... será plausivel manter uma relação por medos?

E por fim, não é uma questão de amor, esse está visivelmente presente, esse é enorme não há dúvidas, esse faz a diferença na minha vida. Mas na verdade só o amor não chega, o amor não é tudo, não suporta tudo, não resolve tudo.

Eu quero ter 80 anos e andar de mão dada com aquele a que chamo o meu amor. Quero sentir que dei uma vida por ele, e que recebi a sua. Quero sentir esse amor vivo e a paixão do mesmo ao fim de 50 anos de vida em comum. Quero uma relação com evoluções, quero chegar ao fim dos meus dias e chamar por ele, e sentir, que independentemente do que ficou por fazer na minha, apesar de algumas realizações pessoais terem ficado por ocorrer, tudo compensou, porque tive o amor da minha vida!

E agora, como se reconhece e se aposta nesse amor?

Quero a minha mochila às costas, algo dinheiro no bolso e partir! E volto, quando tiver o peito cheio de vivências e a memórica de recordações. Volto para assentar naquilo que todos esperam que seja a vida. Volta daquilo que toda a gente quer fazer numa altura da sua vida, mas que por medo, medo de arriscar, medo do que os outros possam pensar, medo de falhar, acabam por não fazer.... mas eu quero, quero muito, e esta minha decisão de partir já esteve muito mais longe.

E hoje enquanto penso nisso, penso que se calhar nem tenho que conversar assim tanto sobre isso... que se calhar, no tipo de "amor" que existe, é uma decisão unipessoal, sem partilha.

Eu quero ir...

publicado por Ovelha Negra às 12:03
sinto-me: pensativa

olá. Já não vinha aqui á algum tempo. Li partes do teu blog, neste ultimo revi-me numa relação que tive e á qual resolvi por um fim. por isso mesmo, porque o amor não chega. E apartir de um certo tempo vai morrendo, e no fim fica um sufoco, uma prisão da qual apetece fugir em busca da liberdade. Agora estou só, e ás vezes sinto o peso da solidão, mas antes só que mal acompanhada. Mas sim... tenho ambição de encontrar a aquela relação que tb ambicionas. Quero um companheiro para a vida. mas será isso possivel nos tempos actuais? acho que não... mas sei que vou sempre sonhando... com o meu conto de fadas. Pensa bem... Tomarás uma boa decisão, talvez até já a tenhas tomado, ou melhor ele fez com que a tomasses... afinal é uma relação a dois. Felicidades, da amiga Lurdes
lua41 a 18 de Fevereiro de 2010 às 21:54

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