... o local onde grito sem medo, nem censuras...

25
Fev 10

Acho que nunca assinalei este dia. Nunca aqui escrevi sobre ele.

Bem, mas o melhor é começar pelo inicio.

Hoje faz 3 anos que eu e o senhor que mora cá em casa nos beijámos pela primeira vez.

Isto teria tudo muito romantismo, assim como teve até eu saber alguns pormenores mais macabros desta relação.

Vou começar pela parte boa, romântica, ridicula e melosa.

Tinhamos combinado encontrarmo-nos. Vinha (bem, devo ter apagado esta informação da minha cabeça, depois de ter constatado que existia uma ENORME possibilidade de não corresponder à verdade). O que interessa é que tinha ficado assente que viria ter comigo. Há cerca de uma semana que andávamos num qualquer clima. Encontravamo-nos todos os dias, onde as conversas e os risos duravam horas. Estava a ser uma semana deveras agradável, tendo em conta tudo aquilo que por estava a passar. Não foi uma latura nada fácil, mas aquela semana com o meu amigo, estava simplesmente a ser maravilhosa. Andava com um sorriso estúpido na cara, dizia bom-dia por mensagem assim que acordava, e não havia dia que não nos vissemos. E naquele dia esperei por ele. Disse-me que vinha ter comigo. E eu esperei. As horas avançavam na noite e chegou a dizer-me que se calhar já não ia (bem, continuam a escapar-me alguns pormenores por imposição da minha auto-estima). Insisti, e ele veio. Estivémos mais uma vez horas na conversa, na palhaçada como tão bem sempre nos caracterizou. Vimos fotos, ouvimos músicas, até que coloquei uma música que passou para sempre a dizer-nos algo. Uma música que ouvia na altura em que o conheci, na colónia. Uma música deveras lamechas, estúpida e com muito pouco sumo musical. Mas era linda, e na altura dos meus 15 anos ainda acreditava em princesas e em principes encantados. Então foi uma risota, "lembras-te de..." e "esta música sempre me fez lembrar de ti...", bem coisas estúpidas em miúdos estúpidos.

E não fazem ideia da quantidade de vezes que aquela música tocou. Esteve a repetir mais que muito tempo, vezes e vezes sem conta, enquanto entrávamos numa luta fisica entre Sporting- benfica. Enfim, não sou ferranha nem doente, mas falamos de alguém que o é. Tipo religião entendem? Tipo psicose na realidade!!!! De qualquer das formas não me torço por qualquer outro clube, logo, foi guerra aberta. Isto durou horas... e quando o braço de ferro terminou, se bem que não dei parte fraca, iniciou-se outra guerra... a guerra da Clementina!

Pronto, foi o descalabro! Eram grainhas, gomos, casca por todos os espaços da minha sala. Era a minha cara com um cheiro e sabor intenso a laranja... nem consigo expôr em palavras a tristeza que foi. E depois da guerra inicial, de estarmos com os narizes colados enquanto me segurava os braços, de a vontade de soltar o beijo estar ali tão iminente e resistirmos (bem e ele resistir), depois da guerra laranja (e não falo da Holanda), aproveitei para lhe dar um mimo... uma simples festa na cara, e foi este momento que despoletou o melhor beijo de sempre...

E depois disto, ficámos simplesmente aos miminhos no sofá, sem outros avanços, sem outras intenções de prazeres carnais (claro que agora tenho dúvidas se não teria acabado de vir de outro prazer carnal...). No entanto foi mágico...

Pronto, esta foi a parte possivel, a parte romântica, a parte bonita da coisa. Depois disto o caus, a mentira, a infidelidade aos sentimentos, a hipocrisia. Apesar de me ter dito (e dizer) vezes sem conta que sempre fui diferente, que sempre gostou de mim, daí atrasar o momento carnal. De sempre olhar para mim com outros olhos e de me dizer que os sentimentos dele sempre foram verdadeiros, apesar disto tudo, a mentira estava lá. E foi dolorosa, muito dolorosa.

Daí para a frente passou a querer comemorar este dia. Porque era importante, muito importante, tinha sido o primeiro dia que me tinha beijado. Tinha sido o dia em que contra a sua vontade (ou muito contra na verdade) se tinha deixado apaixonar, se tinha deixado levar por um sentimento bem diferente do sexual. Mas para sempre na minha cabeça e no meu coração ficaram as dúvidas de até que ponto também isto não será apenas mais uma mentira que apenas se tenta enganar com palavras e pensamentos doces...

Há dois anos não quis comemorar o dia, mas fez questão, fez questão que fossemos jantar fora, porque simplesmente era um dia importante. Quis que não pensasse no depois, nos seus enganos, quis apenas que retivesse que aquele dia tinha sido deveras importante para si. Que no dia a seguir acordou diferente, com uma vontade de acordar com um mimo meu. Mimo que rejeitou no dia seguinte quando cheguei ao pé dele. E hoje não consigo deixar de pensar qiue essa deveria ter sido a altura que me deveria ter afastado.

No ano passado fugi à comemoração. Fui às compras com o meu afilhado de casamento. E nem tão pouco o quis convidar. No entanto, aqui a parvó-ridicula trouxe umas clementinas para casa nesse dia.

E este ano, parece que finalmente o convenci. Eu não tenho a história de amor perfeita e bonita. Tenho uma história de amor sem base de verdade e confiança. Por isso hoje é o dia em que simplesmente beijei mais um.

E por favor, já basta eu nem saber a partir de quando esta história começou, por isso é bom que não volte a haver insistência para a comemoração do que não existe e do que nunca existiu.

Impressionante, acabei de escrever este post zangada. As coisas passam, até se ultrapassam, mas nunca se esquecem.

publicado por Ovelha Negra às 12:32

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