... o local onde grito sem medo, nem censuras...

02
Jan 11

... perdi a capacidade de falar contigo. Antes tudo fluia, era natural, adorava ouvir-te e adorava que me ouvisses.

Antes combinava ir contigo sozinha para o bairro. E íamos só as duas, de comboio a regressar à hora que fosse.

Antes fazia tudo sentido e ultimamente é tudo muito estranho.

Sabes que estou muito feliz por ti, por esse teu novo estado. Só fico triste por mim, porque sinto que pouco mais posso ter.

Se calhar é egoísmo meu, se calhar... mas não julgo sabes.

 

É incapacidade minha não conseguir falar contigo pessoalmente, é bem verdade. Mas na verdade, não sinto abertura tua para isso. Tens falado sempre com 7 pedras na mão. É verdade que nem sempre estamos de acorda, mas e então? Não te ponho em causa (acho eu), por isso porquê essa agressividade?

Sinto que te tenho apoiado, que tenho estado ao teu lado nas tuas decisões, mesmo quando as acho erradas. Não deixo de te dizer se concordo ou não com a tua opinião, mas seria tua amiga se não o fizesse?

Acho que sou tua amiga, porque não concordo sempre contigo!

 

Depois sinto (e acredita que não sei bem porquê) que tenho que te pedir desculpa pela passagem de ano.

Tenho que te dizer que tive imensa pena de não passar ao teu lado. Muita pena mesmo. E ainda por cima fazia todo o sentido, era em Lisboa, o sítio onde saímos as duas sozinhas vezes sem conta.

Tinhas outros planos, percebi desde o ínicio, que no fundo, essa noite era um projecto a dois. Quem se incluía era apenas pormenor. E disso, desculpa... mas não gostei.

E não gostei do programa. Ficar fechada numa casa pequena, sem um sítio onde se pudesse ir dar uma volta, a ver o final da Casa dos Segredos... não seria para mim. E a tua resposta foi que a meia-noite foi à meia-noite, não durante a noite. E isso ilucidou-me ainda mais. Não leves a mal, senti que já não eras a mesma. Ques estavas mesmo noutra fase, onde eu ainda não percebi se estou, ou como estou incluída.

 

Pensei também que provavelmente estão definitivamente a acabar as saídas e os cafés. Vais mudar de casa, não sei quando, não sei se já decidiste. Mas também não te perguntei, porque a tua agressividade ao falar tem sido demasiado dolorosa. Mas vais para longe, sem grande meio de transporte, pelo menos fácil. As pessoas crescem, ou pelo menos mudam os seus objectivos de vida ou as suas vontades. E eu acho muito bem. Eu esqueci-me de assistir a mudança progressiva e limitei-me a ver a parte radical.

Tenho pena, sim dói, sim tenho saudades.

 

Queria puder continuar a combinar coisas contigo, só contigo porque sim, porque tornaste-te no meu porto de abrigo.

Mas já não. Já nem estás igual.

Terei que relembrar os momentos passados. Com pena de se estar a aproximar uma altura em que íamos as duas sozinhas para Albufeira. Mas agora duvido que pudesses, que quisesses, que te lembrasses.

Não sei se me enerva o facto de ires morar para longe, se o facto de já estares muito longe.

E porquê toda esta reflexão nesta altura? Mesmo por causa da passagem de ano. Porque senti a tua falta, e percebi que és outra pessoa. Não digo que isso seja mau, nada disso. Só tens que ser quem queres ser, e sentires-te bem com quem és e com o que sentes. E é como amiga me custa. Porque tenho talvez uma opinião muito própria. Porque gosto de sentir os meus próximos de mim. e tu estás cada vez mais longe. Emocionalmente, de mim (eu falo por mim, eu sinto) e fisicamente porque vais para longe (perdoa-me este desabafo, mas se vivo com o N porque gosto dele, os meus amigos gosto de ter por muito perto).

Fica aqui muita coisa por dizer, mas na verdade, este texto não foi pensado de forma estruturado.

Foi-me saindo... assim como o sinto.

O resto, com algum receio que possas ler, prefiro não escrever.

publicado por Ovelha Negra às 19:20

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